sábado, 30 de setembro de 2017

Coragem individual e clandestina

Henryk Ross foi um judeu polaco que, mercê da obsessão burocrática dos ocupantes nazis, foi recrutado para ser o fotógrafo da administração do ghetto de Łódź .

Como as autoridades alemãs forneciam apenas o filme necessário para o trabalho atribuído, que ia de imagens de propaganda a fotografias de identificação, Ross engenhosamente arranjou uma forma de fazer três exposições no espaço de negativo em que habitualmente se faria apenas uma.
Com os dois terços de película que conseguia poupar, arriscando a sua vida num acto de resistência, realizou um retrato único da vida diária e do terror do ghetto de Łódź. 


Em 1944, com o encerramento final do ghetto em andamento, enterrou cerca de seis mil negativos, guardados no interior de latas encerradas numa caixa de madeira, na esperança que sobrevivessem com prova. 

Após o fim da guerra, conseguiria resgatar a caixa, mas cerca de metade dos negativos estavam danificados para lá de qualquer recuperação. Mas os restantes seriam suficientes para nos transmitir uma realidade que está para lá de qualquer negação.


Em 1961, Henryk Ross seria testemunha no julgamento de Adolf Eichmann, e algumas das suas fotografias clandestinas seriam usadas como prova.

Henryk Ross,
Crianças a serem levadas para o
campo de concentração de Chelmno nad Nerem,
Polónia, 1942
imagem obtida aqui

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