quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Brandos costumes (10)

No meio da amnésia colectiva que se apoderou dos primeiros quarenta anos do século vinte português, um dos aspectos recorrentes é a assunção de que nada de significativo ocorreu, excepto o episódio da implantação da República, e que tudo o mais se resumiu a um jogo político de intrigas palacianas e partidárias que culminou no Estado Novo.
Mas uma olhadela para os registos factuais, demonstra uma realidade diferente.
Não só as conspirações extravasavam para os movimentos civis, como a componente militar era bastante activa e determinante. As revoltas e as  insurreições não eram episódios de excepção, e não se limitavam a desfiles combinados do quartel ao governo.

Mário Novais, Revolução do Castelo,
Lisboa, 20 a 27 de julho de 1928
imagem obtida aqui

Umas características mais dramáticas  das revoltas era a utilização de armamento pesado em meios urbanos. A tomada  dos pontos privilegiados para a colocação de artilharia, como as colinas de Lisboa ou a Serra do pilar, em Vila nova de Gaia, era uma prioridade em muitos dos levantamentos. E o seu uso ocorreu sem grandes pruridos, por vezes de forma continuada.

As fotografias de Mário Novais da chamada Revolução do Castelo ilustram bem essa componente pouco branda da história do país.

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