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terça-feira, 19 de novembro de 2013

ONTOS : Um mundo num salpico de água

Há gente que compara o mundo do infinitamente grande ao mundo infinitamente pequeno. Quem especule que o nosso universo poderá ser algo como um átomo num outro universo infinitamente maior. Que na ponta dum alfinete poderá residir uma outra existência que nos escapa.

Mas mesmo quem não é dado a estas divagações pode sentir-se tentado a concordar, olhando para as fotos de David Liittschwager. Sim, parece existir um mundo inteiro num salpico de água marinha.

David Liittschwager,
Salpico de água marinha,
Havai, E.U.A., 2006
imagem obtida aqui

David Liittschwager,
Salpico de água marinha (pormenor),
Havai, E.U.A., 2006
imagem obtida aqui

David Liittschwager,
Salpico de água marinha (pormenor),
Havai, E.U.A., 2006
imagem obtida aqui

David Liittschwager,
Salpico de água marinha (pormenor),
Havai, E.U.A., 2006
imagem obtida aqui

David Liittschwager,
Salpico de água marinha (pormenor),
Havai, E.U.A., 2006
imagem obtida aqui

David Liittschwager,
Salpico de água marinha (pormenor),
Havai, E.U.A., 2006
imagem obtida aqui


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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O Paraíso

Há diferentes ideias de paraíso.
Para uns, é um sítio onde brota leite e mel, para outros é uma ilha tropical com areias brancas e água tépida. Para outros ainda, é uma ilha mediterrânica com discotecas a despejar techno em alto volume e outros extras.
Eu próprio tenho várias asserções do paraíso. Mas ultimamente a que predomina será eventualmente uma coisa estranha. Forçado profissionalmente a gozar as férias em Agosto quando, na parte setentrional do mundo, quase todos decidem fazê-lo, vejo-me perante engarrafamentos de trânsito, supermercados a transbordar e magotes de gente nas ruas.
A salvação passa pela cortesia dum familiar e pelo seu convite para uma estadia no que para muitos será um degredo: uma casa duma aldeia da serra algarvia, longe do mar, longe da Internet, longe de tudo. Aí, na torreira do Agosto do Algarve serrano, é possível passar uns dias gastos apenas na tão portuguesa obsessão de saber o que se vai cozinhar na próxima refeição, na fuga ao sol e nos banhos retemperadores numa pequena piscina improvisada.
E ao fim da tarde, quando temperatura começa a descer dos quarenta e a entrar nos trinta Celsius, posso descer a encosta e encaminhar-me para o leito seco da ribeira. Posso passar pelos vários pegos, fundões naturais onde permanece alguma água. E aí, na luz fugidia do fim do dia,  posso brincar aos fotógrafos de natureza, perseguindo com a minha limitada 70-300 as rãs que sobrevivem ao estio extremo, insistindo em enfrentar o sol como se fossem banhistas numa praia.

Júlio Assis Ribeiro, Rã
Monte da Ribeira, 2013

Júlio Assis Ribeiro, Rã
Monte da Ribeira, 2013


Júlio Assis Ribeiro, Rã
Monte da Ribeira, 2013


Júlio Assis Ribeiro, Rã
Monte da Ribeira, 2013


Júlio Assis Ribeiro, Rã
Monte da Ribeira, 2011


Júlio Assis Ribeiro, Rã
Monte da Ribeira, 2011


Júlio Assis Ribeiro, Rã
Monte da Ribeira, 2011

Sim, eu admito. É estranho que o paraíso dum homem adulto seja também o paraíso das rãs. Mas que posso eu fazer? Ninguém é verdadeiramente senhor dos seus gostos.

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quarta-feira, 31 de julho de 2013

ONTOS : A Pata quebrada do volátil

Léon Vidal, abastado industrial francês e um reconhecido fotógrafo, foi um dos primeiros que vislumbrou a importância e valor cultural da fotografia científica, e acalentou o projecto de criar no seu país um museu da Fotografia documental. A tal instituição terá chegado a ser anunciada em 1898, em Paris. Mas não vingou. A colecção de Vidal encontra-se hoje depositada na Biblioteca Nacional de França, e nela podemos encontrar um pequeno conjunto de fotografias de Albert Peignot, um técnico do curso de física do Conservatoire national des arts et métiers.
Feitas em 1896, demonstram a facilidade de circulação das novidades técnicas e científicas nesse período. Em Novembro do ano anterior, o alemão Wilhelm Röntgen descobrira os raios x e a capacidade destes produzirem imagens em suportes fotossensíveis. Uns poucos meses depois era possível a Peignot replicar, com clara desenvoltura técnica e estética, o procedimento.

Albert Peignot, Radiografia de um volátil, 1896
imagem obtida
aqui

Do referido conjunto, a Bibliothèque nationale de France escolheu a imagem acima para uma recente exposição de 100 fotografias que os curadores entenderam serem as obras-primas da sua colecção fotográfica.
A Albert Peignot terá certamente interessado a pata quebrada da ave para demonstrar a novíssima possibilidade de dar a ver o invisível e as portas que tal facto abria. Para nós, seres por demais demasiado habituados a contar com o poder da técnica, o lado científico da imagem não será o factor maior de interesse. Como o crânio nas mãos de Hamlet, esta bela imagem desperta-nos para divagações mais filosóficas. Ou estéticas.

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terça-feira, 25 de junho de 2013

ONTOS- Probóscide de Mosca

John William Draper,
Microfotografia de Probóscide de mosca,
Daguerreótipo, E.U.A., 1850
imagem obtida aqui


John William Draper, cientista norte-americano nascido em Inglaterra, foi dos muitos que tactearam a descoberta da Fotografia, investigando processos foto-químicos. Ultrapassado por Daguerre e Fox Talbot que, em 1839, tornaram públicos os processos por si descobertos, foi no entanto um personagem fundamental dos progressos que rapidamente ajudaram a transformar o limitado daguerreótipo ( fotografia de exemplar único, executado sobre chapa metálica) num processo fotográfico mais fiável e prático.
Melhorou substancialmente a sensibilidade dos materiais fotossensíveis, reduzindo os tempos de exposição, e especula-se que terá sido o primeiro a fazer conseguir fazer retratos fotográficos com esse método.
Associado a Samuel Morse, inventor do telégrafo e introdutor da fotografia nos Estados Unidos, criou o primeiro estúdio profissional dedicado ao retrato fotográfico, em 1840 e em Nova Iorque. Esta sociedade durou porém poucos meses, dado que a Draper as aventuras empresariais não entusiasmavam, optando depressa por retornar às suas investigações. Para ele, o desafio da fotografia era sobretudo a descoberta. E foi aí bem sucedido, melhorando ainda mais os processos fotoquímicos, e alargando o campo da fotografia para a astronomia e a microscopia.
É sua a imagem acima, um daguerreótipo obtido através de um adaptador, por si criado, que acoplou uma das pesadas câmaras da época a um microscópio, tornando pela primeira vez visível para todos o mundo do ínfimo, tomando como objecto a probóscide duma mosca, o pequeno apêndice bocal que o insecto usa para se alimentar.


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sexta-feira, 14 de junho de 2013

ONTOS -Alguns membros da família Scarabaeidae

Os artrópodes, sejam eles aracnídeos, insectos ou outros, são por norma recebidos com pouco apreço no interior da cultura ocidental. A repulsa, o nojo e até o medo constituem o leque de emoções que o seu avistamento geralmente propicia. 
Mas tal facto não é exactamente um reflexo natural, ao contrário do que muitos estão dispostos a acreditar.
Saindo desse espaço cultural, verificamos muitos exemplos pelo mundo fora em que tal bicharada desperta gula, deslumbramento estético e até veneração religiosa.

Os coleópteros da família Scarabaeidae, insectos comummente designados por escaravelhos, tendem a nos desagradar pelo seu hábito de se alimentar de excrementos e de animais em putrefacção.
Porém, um deles teve direito a entrar para o panteão de divindades do antigo egípcio, numa incarnação do deus Khefri, figura de importante papel naquela mitologia , já que era o responsável pelo o movimento do sol no céu.


Edwin L. Wisher, Coleópteros da família Scarabaeidae,
Julho de 1929
imagem obtida aqui


Abstraio-me por isso de preconceitos, e olho para imagem acima, de Edwin L Wisher, com deleite.
Vendo-a, consigo compreender perfeitamente o joalheiro russo Peter Carl Fabergé que, para além de fazer os seus famosos ovos de metais e pedras preciosas, muitas vezes se virou para o mundo dos artrópodes como fonte de beleza e de inspiração.


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quinta-feira, 2 de maio de 2013

ONTOS - Tyto alba

O nome de Cherry Kearton, um dos pioneiros irmãos Kearton que, em fins do século dezanove, iniciaram a Fotografia de Natureza, foi dado a um prémio da britânica Royal Geographical Society. Em 2012, na última edição, foi atribuído a Andy Rouse. É dele esta coruja-das-torres (Tyto alba), em pleno voo.

Andy Rouse, Coruja-das-torres (Tyto Alba), sem data,

imagem obtida aqui


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terça-feira, 23 de abril de 2013

ONTOS: Uma pulga em 1865

Durante grande parte do século dezanove, a fotografia foi coisa de amadores. Se é verdade que logo no início apareceram fotógrafos profissionais, a verdade é que até George Eastman a industrializar verdadeiramente, com a sua KODAK, a Fotografia era um processo artesanal, de pequena escala.

Os amadores, aqueles que agiam por interesse estético e técnico, foram então o grande motor dos progressos da Fotografia. Muitos deles associavam o gosto pelas imagens ao das ciências, o que era natural, dado que, nas primeiras décadas, fotografar implicava saber um pouco de química e de física, fabricar os seus próprios suportes e, às vezes, as suas câmaras.

O belga Adolphe Neyt (1830 - 1893) foi um desses pioneiros. Membro da Société française de photographie e da Association belge de photographie, interessou-se sobretudo por objectos microscópicos e astronómicos, experimentando com a óptica até conseguir imagens de uma clareza notável, mesmo pelos padrões actuais.

É sua esta pulga, de 1865, das colecções da George Eastman House.

Adolphe Neyt, Pulga, 1865
imagem obtida
aqui


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quarta-feira, 6 de março de 2013

ONTOS: Amanita muscaria

Huron H. Smith, botânico e etnólogo, realizou diversas campanhas de investigação científica nas zonas mais intocadas dos Estados Unidos durante as primeiras décadas do século vinte. Nelas usou de forma sistemática a fotografia como ferramenta de trabalho, deixando um espólio impressionante.

Abaixo, um exemplo:  duas vistas dum cogumelo Amanita muscaria, captadas na sua expedição ao estado do Oregon, em 1910.

Huron H. Smith, Amanita muscaria, Oregon, E.U.A., 1910
imagem obtida aqui


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terça-feira, 5 de março de 2013

ONTOS: Um peixe deformado

Em 1971, a recentemente criada Environment Protection Agency, nos Estados Unidos, decidiu desenvolver um projecto de conscencialização assente no trabalho de fotógrafos que registariam o estado do ambiente e a vida quotidiana dos americanos para memória futura. Esse projecto chamar-se-ia DOCUMERICA, e nele trabalhariam cerca de 100 fotógrafos, que produziram aproximadamente 80.000 imagens.

Em 1973, Donald Emmerich, um dos homens do projecto, fotografou um exemplar de jordanella floridae severamente deformado, em resultado dos altos níveis de contaminação com metilmercúrio em alguns lagos e cursos de água.

Donald Emmerich, Jordanella floridae deformado,
EUA, 1973
imagem obtida aqui


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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

ONTOS: Ninho perturbado

Gosto bastante de algumas imagens de Maggie Foskett. Gosto do seu processo.

Há cerca de vinte anos, à medida que a idade a ia atropelando aos poucos, a agora nonagenária americana começou a construir pequenos cosmos que recolhia em passeios junto a sua casa. Remete ela a origem desta abordagem para a sua infância nos matos do Brasil, em que nas férias escolares calcorreava incessantemente o campo, sempre com atenção ao que se lhe aparecia pela frente ou por debaixo dos pés. E ali havia que ter cuidado onde se punha o pé, há coisas que não se quer pisar, ou que simplesmente não se quer deixar de ver.

Essa atenção ao mundo das pequenas coisas e o processo que usa (uma adaptação do cliché verre) unem-se numa simbiose funcional. Pequenos grãos, asas de insecto, folhas, secções de vegetais, tudo ensanduichado entre duas pequenas chapas de vidro, transfiguram-se pela ampliação e pela acção da luz. O insignificante e o banal são intensificados e transformados. Há algo de revelação, de epifânia, nos seus melhores trabalhos.
Foskett associa esta alteração ontológica ao processo científico, ao seu questionar metódico e à introdução de um novo olhar que transforma o insignificante na explicação de uma parte do universo.

Nem sempre as suas imagem passam por uma grande ampliação, por uma abordagem declaradamente microscópica. Aliás, em nada o trabalho de Foskett se liga com o comum universo da Fotografia macro que enche revistas e sites de aficionados da Fotografia.

As suas fotografias não explicam. Não são cartesianas, resolvendo o todo pela somas das suas pequenas partes. A sua aproximação à ciência é metafórica e poética.


Maggie Foskett, Ninho perturbado, 1996
imagem obtida aqui


Em "Ninho perturbado", de 1996, posso pressentir a perturbação do Mundo, a dureza da Existência. Mas não me peçam para explicar porquê.

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

ONTOS - Orchis Ustulata


Pietro Guidi, Orchis ustulata,cerca de 1870
Prova de albumina, pintada manualmente
imagem obtida aqui




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sexta-feira, 17 de junho de 2011

ONTOS - uma, duas rãs


Josef Maria Eder e Edward Valenta,
Radiografia de rãs,1896
imagem obtida aqui


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terça-feira, 14 de junho de 2011

ONTOS - Uma alga em tons de azul


Anna Atkins, Chordaria flagelliformis,
cianotipo,1843-53
imagem obtida aqui


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sábado, 23 de abril de 2011

ONTOS: Uma finlandesa na selva. (2)

Sanna Kannisto, 65 morcegos, 2008
imagem obtida aqui

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sexta-feira, 22 de abril de 2011

ONTOS: Uma finlandesa na selva.

A finlandesa Sanna Kannisto acompanha  biólogos desde 1997, nas florestas tropicais das Américas do Sul e Central, reproduzindo no seu trabalho fotográfico processos e conceitos que radicam no trabalho destes. Define-se a si própria como uma pesquisadora visual.
À semelhança dos cientistas naturais recolhe amostras e espécimenes para melhor analisar e conhecer, mas afasta-se das convenções da documentação científica. Regra geral, estas fazem apresentar os  objectos de estudo isolados e sem referência de contexto, ao passo que Sanna Kannisto opta frequentemente por expôr a artificialidade do processo. Os animais e as plantas aparecem-nos rodeados pelos apetrechos de encenação da fotógrafa, os panos negros, a caixa de luz, o equipamento de iluminação. A descontextualização do espécimen é igualmente posta evidência pela presença de marcadores científicos- etiquetas, indicadores de escala, papeis. Outras vezes opta pela apresentação da parafernália científica e fotográfica in situ, na selva aparentemente intocada, introduzindo um sentido de absurdo e de ironia. Por último, outra das abordagens consiste na captura de imagens de espécimenes vivos, às vezes em grandes planos, às vezes em planos de conjunto que abarcam elementos retirados momentos antes da floresta, quase sempre tornando explícito o trabalho de encenação, seja pelos fundos de estúdio, seja pela inclusão de objectos artíficiais. Afasta-se aqui de certa fotografia científica, tipo National Geographic, que encenando ou preparando a acção opta por apagar ou por omitir os traços do fotógrafo na imagem.

Sanna Kannisto, Zona antissísmica, 2010
imagem obtida aqui





Sanna Kannisto, Rã em heliconia,1997
imagem obtida aqui

Sanna Kannisto, Sabor a néctar(2), 2008
imagem obtida aqui


Sanna Kannisto, Chorophanes spiza, 2010
imagem obtida aqui

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domingo, 21 de novembro de 2010

ONTOS - Um atum da Madeira em Oxford

De entre a enorme gama de fenómenos que encontramos na Internet, e que incorrem na categoria de coisas simultaneamente patetas e sérias, existe um jogo intitulado The Oracle of Bacon, criado por Brett Tjaden. Esta pequena maravilha consiste simplesmente num único princípio, o de ser possível relacionar alguém, qualquer pessoa, que tenha tido um qualquer papel na indústria do cinema, com o actor norte-americano Kevin Bacon, em não mais de seis passos. O objectivo do jogo é, obviamente, conseguir fazer essa ligação. E, se possível, num número mais curto de passos.
O interessante é que algo que parece um óptimo exemplo de um produto destinado a queimar tempo de forma orgulhosamente fútil se baseia num estudo sobre a interacção humana , assente em várias experiencias conduzidas por Stanley Milgram e outros investigadores, sobre as redes sociais nos estados unidos, e que conduziram à chamada Teoria do Mundo Pequeno. Esta  parece confirmar cientificamente o velho lugar-comum de “O mundo é pequeno” e diz-nos que em sociedades abertas é possível relacionar qualquer dos seus membros em não mais de seis graus.
Este avanço científico glorifica formas absolutamente parvas de relacionar factos, e abre-nos todo um mundo novo de possibilidades sem que nos possam apontar um dedo acusador. Ao fim e ao cabo estamos a demonstrar o nosso muito douto know-how sociológico.

Um exemplo. Como se pode relacionar um pescador madeirense do século dezanove com a Alice do país das maravilhas?
É fácil! Em meados do século dezanove, pescadores madeirenses capturaram um atum que foi comprado por Henry Acland, médico e professor inglês que se encontrava na ilha acompanhando o paciente e amigo Henry Liddell, deão do Colégio universitário Christ Church, em Oxford. O deão encontrava-se na ilha, à semelhança de muitos dos seus conterrâneos abastados, por motivos de saúde, fugindo à agressividade do inverno britânico. Henry Acland adquire o enorme peixe e providencia que seja encaminhado para Oxford onde, depois de liberto das partes moles, será objecto de estudo nas aulas de anatomia de Christ Church. Actualmente, à semelhança de outras recolhas de Henry Acland, encontra-se ainda na cidade universatária inglesa, no Natural History Museum. Em 1857, Acland solicita ao jovem professor de matemática Charles Dodgson, que se dedicava à recente arte da Fotografia, que registasse o esqueleto do atum.

Charles Dodgson, Esqueleto de Atum, Oxford, 1857
imagem obtida aqui
 
Charles Dodgson fotografará o esqueleto e, mais tarde, fotografará igualmente a filha de Acland, Sarah Angelina Acland, e as crianças do deão de Christ Church, Henry Lidell.
As filhas de Lidell serão, aliás, durante algum tempo os seus modelos de eleição. E uma delas em particular, Alice Lidell, ficará para sempre ligada ao jovem matemático, muito embora essa ligação tenha sido mais tarde minorada por este. Nos passeios e expedições fotográficas que foram feitas, para entretenimento das crianças Dodgson desenvolveu uma narrativa em que estas são personagens. Por insistência de Alice, acabará por fazer um manuscrito com essa narrativa para lhe oferecer. E mais tarde desenvolverá, e apurará, a história, que será publicada com o título de “Alice in Wonderland”, assinada com o seu pseudónimo literário, Lewis Carrol.

E é assim que, aparvalhadamente, se liga um anónimo pescador madeirense a Alice no País das maravilhas em quatro passos.

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

ONTOS - Pena de Pavão

As penas de pavão entraram, aí pelos anos sessenta e setenta, num certo imaginário decorativo, entre o freak e kitsch. No início do século vinte, porém, não creio que trouxessem tais evocações, e seriam vistas como um bom motivo para aplicar as nascentes técnicas fotográficas a cores.

Autor não identificado, pena de pavão, diapositivo Paget, início do século vinte
imagem obtida aqui

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domingo, 14 de novembro de 2010

ONTOS - Três ovos de Cuco

Sarah Angelina Acland fotografou (além da ilha da Madeira, de plantas e jardins, e de conhecidos) alguns especímenes científicos, animais embalsamados e, como é o caso, ovos recolhidos em saídas de campo.


Sarah Angelina Acland, Três ovos de pássaro, Diapositivo autocromo, 1908-1915
imagem obtida aqui

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ONTOS - Phronima sedentaria

Um pequeno crustáceo, Phronima sedentaria, deambula no fundo do mar inserido no corpos cilindricos e vazios de tunicatos mortos. Os adultos da espécie depositam os seus juvenis no interior destes receptáculos.
Diz-se que o Phronima obteve razões acrescidas de interesse por ter inspirado H.R. Giger na criação do monstro extraterreste da série de filmes ALIEN, iniciada com filme homónimo de Ridley Scott.

I. MacDonald,Phronima sedentaria, 2009
imagem obtida aqui

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

ONTOS - vespa vulgaris

Eis uma fotografia da 55º exposição anual da Royal Photographic Society of Great Britain, em 1910. O autor foi Phillip J. Barraud, membro da  Royal Entomological Society.




Phillip J. Barraud, Queen Wasp -Vespa vulgaris , 1910
imagem obtida aqui

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