É neste contexto que as imagens de dois irmãos, Mário e Horácio Novais, fotógrafos comerciais, se revelam particularmente interessantes, facultando a possibilidade de olhar para uma rara Lisboa nocturna, capital de um país que se queria diurno, claro e bem-comportado.
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domingo, 20 de outubro de 2013
A Lisboa nocturna dos irmãos Novais
O Estado Novo português não nutria grande afeição pela noite. A sua natureza antidemocrática, conservadora e censória fazia com que a visse como um local de transgressões, logo como não particularmente digna de visibilidade.
É neste contexto que as imagens de dois irmãos, Mário e Horácio Novais, fotógrafos comerciais, se revelam particularmente interessantes, facultando a possibilidade de olhar para uma rara Lisboa nocturna, capital de um país que se queria diurno, claro e bem-comportado.
É neste contexto que as imagens de dois irmãos, Mário e Horácio Novais, fotógrafos comerciais, se revelam particularmente interessantes, facultando a possibilidade de olhar para uma rara Lisboa nocturna, capital de um país que se queria diurno, claro e bem-comportado.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Os Camisas
Há uma discussão que aflora periodicamente em Portugal inflamando ânimos, apesar duma distância temporal que começa já a ser significativa. A questão a que me refiro é da existência, ou não, duma natureza fascista em Salazar e no seu Estado Novo.
Os defensores duma, e doutra posição, substanciam frequentemente os seus pontos de vista duma forma radical, ancorados em fortes posições ideológicas.
Para alguns, essa existência é óbvia, o regime era ditatorial e nacionalista e, na sua origem, demonstrava claramente as suas afinidades. A associação do Estado Novo ao Fascismo e ao Nazismo é a mais clara forma de demonstrar a sua malignidade.
Outros porém, negam-na. Muitos deles afirmam, implícita ou explicitamente, a benignidade do regime português, demonstrando as diferenças entre este e os movimentos germânico e transalpino. Ao contrário de Hitler e Mussolini, Salazar era um ruralista e um tradicionalista. O progresso industrial e a máquina não o entusiasmavam e a pobreza fazia, a seu ver, parte da ordem natural das coisas. O seu Corporativismo era mais retórico que estrutural, era um certo ar do Tempo. O Estado Novo não era militarista e a sua violência, defendem, foi muita inferior à praticada em Itália, Alemanha e Espanha. Um dos exemplos evocados nesta defesa é o desmembramento/neutralização e silenciamento dos Camisas azuis, o movimento nacional-sindicalista de Rolão Preto, um monárquico que na fase de criação do Estado Novo tentou organizar uma estrutura semelhante aos Fasci Italiani di Combattimento.
Como em quase tudo em que há extremos, a verdade das coisas situa-se eventualmente entre eles.
Salazar não era exactamente um avatar português dos líderes italiano ou alemão. Sim, era um ruralista. Não, não gostava por aí além de multidões participativas e organizadas, a pacatez era para si quase um programa político. Não, o número de mortos portugueses resultantes da sua acção não se aproxima nem de perto, nem de longe, das cifras franquistas, nazis e fascistas, mesmo contabilizando os mortos da guerra colonial.
Porém, partir destas constatações para provar a benignidade do Estado Novo é, no mínimo, disparatado. O regime era comprovadamente antidemocrático, repressivo e censório. Manteve prisões que mereceram o título de campo de concentração, controlava de forma muito cerrada as actividades dos seus cidadãos, reprimia fortemente e sem grande pejo.
Se ideologicamente o ditador era mais um tradicionalista católico que outra coisa, e se neutralizou os camisas azuis, a verdade é que se mimetizou substancialmente a estética totalitária e a organização dos regimes seus contemporâneos. O fascismo era um comboio que alguns dos seus mais importantes seguidores queriam apanhar, e ele terá deixado a coisa correr. Também por cá se usava a saudação romana, se adoptou uma arquitectura classicizante com referências nacionalistas, se obrigou todos os jovens com frequência escolar a participar numa espécie de proto-milícia fardada - a Mocidade portuguesa.
Salazar desfez-se dos camisas azuis, mas os seus apoiantes criaram os camisas verdes. E se, como alguns dizem, esse era um ar do Tempo, Horácio Novais capturou esse ar e conservou-o em sais de prata.
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Os defensores duma, e doutra posição, substanciam frequentemente os seus pontos de vista duma forma radical, ancorados em fortes posições ideológicas.
Para alguns, essa existência é óbvia, o regime era ditatorial e nacionalista e, na sua origem, demonstrava claramente as suas afinidades. A associação do Estado Novo ao Fascismo e ao Nazismo é a mais clara forma de demonstrar a sua malignidade.
Outros porém, negam-na. Muitos deles afirmam, implícita ou explicitamente, a benignidade do regime português, demonstrando as diferenças entre este e os movimentos germânico e transalpino. Ao contrário de Hitler e Mussolini, Salazar era um ruralista e um tradicionalista. O progresso industrial e a máquina não o entusiasmavam e a pobreza fazia, a seu ver, parte da ordem natural das coisas. O seu Corporativismo era mais retórico que estrutural, era um certo ar do Tempo. O Estado Novo não era militarista e a sua violência, defendem, foi muita inferior à praticada em Itália, Alemanha e Espanha. Um dos exemplos evocados nesta defesa é o desmembramento/neutralização e silenciamento dos Camisas azuis, o movimento nacional-sindicalista de Rolão Preto, um monárquico que na fase de criação do Estado Novo tentou organizar uma estrutura semelhante aos Fasci Italiani di Combattimento.
Como em quase tudo em que há extremos, a verdade das coisas situa-se eventualmente entre eles.
Salazar não era exactamente um avatar português dos líderes italiano ou alemão. Sim, era um ruralista. Não, não gostava por aí além de multidões participativas e organizadas, a pacatez era para si quase um programa político. Não, o número de mortos portugueses resultantes da sua acção não se aproxima nem de perto, nem de longe, das cifras franquistas, nazis e fascistas, mesmo contabilizando os mortos da guerra colonial.
Porém, partir destas constatações para provar a benignidade do Estado Novo é, no mínimo, disparatado. O regime era comprovadamente antidemocrático, repressivo e censório. Manteve prisões que mereceram o título de campo de concentração, controlava de forma muito cerrada as actividades dos seus cidadãos, reprimia fortemente e sem grande pejo.
Se ideologicamente o ditador era mais um tradicionalista católico que outra coisa, e se neutralizou os camisas azuis, a verdade é que se mimetizou substancialmente a estética totalitária e a organização dos regimes seus contemporâneos. O fascismo era um comboio que alguns dos seus mais importantes seguidores queriam apanhar, e ele terá deixado a coisa correr. Também por cá se usava a saudação romana, se adoptou uma arquitectura classicizante com referências nacionalistas, se obrigou todos os jovens com frequência escolar a participar numa espécie de proto-milícia fardada - a Mocidade portuguesa.
Salazar desfez-se dos camisas azuis, mas os seus apoiantes criaram os camisas verdes. E se, como alguns dizem, esse era um ar do Tempo, Horácio Novais capturou esse ar e conservou-o em sais de prata.
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Horácio Novais, Mocidade Portuguesa, sem data
imagem obtida aqui
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| Horácio Novais, Mocidade Portuguesa, sem data imagem obtida aqui |
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| Horácio Novais, Mocidade Portuguesa, sem data imagem obtida aqui |
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sábado, 2 de março de 2013
O lugar do Poder
Em Portugal, um mesmo local simboliza o poder desde o início do século dezasseis - o Terreiro do paço.
De início, assim era de facto porque lá morava o poder. Em 1511, D. Manuel I mudara-se do medieval castelo de Lisboa para um palácio junto ao Tejo.
Com a perda da independência, nos reinados filipinos, o paço sofreu enorme obras e tornou-se um símbolo dum poder distante e estrangeiro. Depois, com a restauração da independência, tornou-se apenas o símbolo dum poder distante.
Finalmente, o terremoto de 1755 destruiu totalmente o palácio real, e em sua substituição foi construída uma praça de traça racionalista, a Praça do comércio. Mas, com a naturalidade das nações velhas, o nome antigo ficou e perdura. Indiferentemente, os lisboetas, e os portugueses em geral, chamam àquele lugar, onde ainda hoje residem alguns ministérios, um e outro nome, sem problemas e sem confusões acerca daquilo a que se referem.
Apesar de a maioria dos ministérios já terem partido para moradas mais modernas, quando o país se irrita e protesta, é para ali que se dirige.
Em tempos de Ditadura, as massas irritadas não se podiam dirigir para tal lugar (em bom rigor, não se podiam dirigir para lugar nenhum). O que não quer dizer que estivesse livre de manifestações. Estas eram porém de natureza diferente, de apoio organizado, de veneração orquestrada ao ditador.Uma das melhores imagens desses tempos, de Horácio Novais, apresenta-nos a figura do ditador de costas, acompanhado de alguns próximos, a assentir paternalmente, sem entusiasmos, da varanda dum dos ministérios à multidão organizada.
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De início, assim era de facto porque lá morava o poder. Em 1511, D. Manuel I mudara-se do medieval castelo de Lisboa para um palácio junto ao Tejo.
Com a perda da independência, nos reinados filipinos, o paço sofreu enorme obras e tornou-se um símbolo dum poder distante e estrangeiro. Depois, com a restauração da independência, tornou-se apenas o símbolo dum poder distante.
Finalmente, o terremoto de 1755 destruiu totalmente o palácio real, e em sua substituição foi construída uma praça de traça racionalista, a Praça do comércio. Mas, com a naturalidade das nações velhas, o nome antigo ficou e perdura. Indiferentemente, os lisboetas, e os portugueses em geral, chamam àquele lugar, onde ainda hoje residem alguns ministérios, um e outro nome, sem problemas e sem confusões acerca daquilo a que se referem.
Apesar de a maioria dos ministérios já terem partido para moradas mais modernas, quando o país se irrita e protesta, é para ali que se dirige.
Em tempos de Ditadura, as massas irritadas não se podiam dirigir para tal lugar (em bom rigor, não se podiam dirigir para lugar nenhum). O que não quer dizer que estivesse livre de manifestações. Estas eram porém de natureza diferente, de apoio organizado, de veneração orquestrada ao ditador.Uma das melhores imagens desses tempos, de Horácio Novais, apresenta-nos a figura do ditador de costas, acompanhado de alguns próximos, a assentir paternalmente, sem entusiasmos, da varanda dum dos ministérios à multidão organizada.
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Horácio Novais,
Salazar e manifestação no Terreiro do Paço, sem data
imagem obtida aqui |
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Porque, enfim, é Natal...
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Horácio Novais, Iluminações de Natal, Lisboa, s/data
Imagem obtida aqui
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quinta-feira, 10 de março de 2011
Brandos costumes (8)
Eis mais uma imagem dos danos resultantes dos combates na revolta de 26 de agosto de 1931. Um pormenor interessante : vislumbra-se o andaime e a obra de construção do monumento ao Marquês de pombal, onde actualmente se empoleiram os adeptos das equipas (lisboetas) quando ganham o campeonato nacional de futebol. Outras guerras!
Horácio Novais, Revolta de 26 de agosto de 1931
imagem obtida aqui
Horácio Novais, Revolta de 26 de agosto de 1931, pormenor com as obras do monumento ao Marquês de Pombal
imagem obtida aqui
Horácio Novais, Revolta de 26 de agosto de 1931, pormenor
domingo, 6 de março de 2011
Brandos costumes (7)
É conhecida a estranha relação entre a câmara e os soldados. A ideia do fotógrafo como um agente neutro, que apenas capta as coisas à medida que estas se dão, é muitas vezes desmentida pelos factos. A presença de um fotógrafo ( ou de outro repórter de imagem) funciona com frequência como um catalisador, incentiva a acção e o fotógrafo torna-se um encenador ( um encenador involuntário, na esmagadora maioria das vezes). Por vezes o resultado é trágico, com linchamentos e acções que se dão no frenesim criado pela presença da câmara; por vezes é atenuador, quando o fotógrafo é uma testemunha incómoda e há que refrear ou adiar acções que não se quer registadas. Por vezes ainda, o resultado é simplesmente patético.
Os conflitos, ao contrário dos filmes bélicos, conjugam a urgência e brutalidade dos momentos de combate com períodos longos de espera e de tédio. Aí, a presença do fotógrafo desencadeia, de quando em quando, uma agitação estranhamente infantil, com os combatentes a simularem, a brincarem aos soldados.
A revolta de 26 de Agosto de 1931 não foi inócua, tendo-se registado cerca de quarenta mortos e enormes estragos materiais. A reportagem que dela faz Horácio Novais, disponibilizada pela Fundação Calouste Gulbenkian no Flickr, parece ter sido feita após os momentos mais intensos, quando o resultado já estava decidido. Há nela as imagens dos estragos, das armas apreendidas, do transporte de prisioneiros e das barricadas governamentais. Nestas últimas, perpassa por vezes a sensação de encenação, de pose para a câmara. Mas na imagem abaixo esta postura atinge uma dimensão particularmente divertida. Treze soldados tentam atrapalhada e dessincronizadamente apresentar um momento de valentia e tensão combatente. Um mirone civil permanece no fundo. O jornal, que terá servido para matar o tempo, foi atirado para o chão junto à barricada. Tudo isto somado ao soldado sentado que aponta a espingarda para a frente, mas que olha (presumivelmente) para Horácio Novais, compõe um ramalhete de cómica inverosimilhança.
Os conflitos, ao contrário dos filmes bélicos, conjugam a urgência e brutalidade dos momentos de combate com períodos longos de espera e de tédio. Aí, a presença do fotógrafo desencadeia, de quando em quando, uma agitação estranhamente infantil, com os combatentes a simularem, a brincarem aos soldados.
A revolta de 26 de Agosto de 1931 não foi inócua, tendo-se registado cerca de quarenta mortos e enormes estragos materiais. A reportagem que dela faz Horácio Novais, disponibilizada pela Fundação Calouste Gulbenkian no Flickr, parece ter sido feita após os momentos mais intensos, quando o resultado já estava decidido. Há nela as imagens dos estragos, das armas apreendidas, do transporte de prisioneiros e das barricadas governamentais. Nestas últimas, perpassa por vezes a sensação de encenação, de pose para a câmara. Mas na imagem abaixo esta postura atinge uma dimensão particularmente divertida. Treze soldados tentam atrapalhada e dessincronizadamente apresentar um momento de valentia e tensão combatente. Um mirone civil permanece no fundo. O jornal, que terá servido para matar o tempo, foi atirado para o chão junto à barricada. Tudo isto somado ao soldado sentado que aponta a espingarda para a frente, mas que olha (presumivelmente) para Horácio Novais, compõe um ramalhete de cómica inverosimilhança.
Horácio Novais, Barricada governamental, Revolta de 26 de Agosto de 1931
imagem obtida aqui
Horácio Novais, Barricada governamental, Revolta de 26 de Agosto de 1931(pormenor)
imagem obtida aqui
Horácio Novais, Barricada governamental, Revolta de 26 de Agosto de 1931(pormenor)
imagem obtida aqui
Horácio Novais, Barricada governamental, Revolta de 26 de Agosto de 1931 (pormenor)
imagem obtida aqui
Horácio Novais, Barricada governamental, Revolta de 26 de Agosto de 1931 (pormenor)
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Augusta fantasmagoria
Por entre as imagens de uma Lisboa nocturna, em tempos de Estado Novo, feitas por Horácio Novais, e agora disponibilizadas no flickr pela Fundação Calouste Gulbenkian, chamam-me a atenção algumas da rua Augusta. Ao contrário de outras desta sequência, marcadas sobretudo pela evidenciação da iluminação, que nos mostram uma lisboa deserta e glamorosa, de automóveis e arquitectura, cenário de filme negro, nestas o fotógrafo concentra-se na captura da massa humana que percorre as calçadas.
A exposição longa (mas não demasiado longa) que a penumbra nocturna impõe transforma a multidão transeunte numa massa espectral a que as luzes natalícias acrescentam um toque de estranheza.
A exposição longa (mas não demasiado longa) que a penumbra nocturna impõe transforma a multidão transeunte numa massa espectral a que as luzes natalícias acrescentam um toque de estranheza.
Horácio Novais, Rua Augusta, Lisboa,sem data
imagem obtida aqui
Gosto bastante da imagem acima, que considero particularmente feliz na relação entre o tempo de exposição e velocidade da multidão. Gosto igualmente por ser um exemplo interessante de como, por vezes, os elementos presentes na imagem põe em evidência os ausentes. Aqui, é claro que o fotógrafo cria um acontecimento pela sua simples presença. Posicionado no meio da corrente pedonal, em posição elevada, possivelmente como um obstáculo, chama a atenção. Força a paragem de alguns dos passantes que se retêm, por momentos, para ver quem os fotografa. Passa-se isto em Lisboa, em Portugal, um lugar e um tempo que não se gostava de ser fotografado, conforme dizia Gerard Castello Lopes numa entrevista.
As figuras que se retiveram, ou que vieram às varandas observar, e que olham para o fotografo põem igualmente em destaque a natureza voyeuristíca da Fotografia. Em termos da imagem vemo-los como olhando para nós, que olhamos para eles. O olhar é exposto como uma intrusão, uma abordagem nem sempre solicitada, ou tolerada, ao outro.
Horácio Novais, Rua Augusta, pormenor, Lisboa,sem data
imagem obtida aqui
Horácio Novais, Rua Augusta, pormenor, Lisboa,sem data
imagem obtida aqui
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Brandos Costumes (5)
Estúdio Horácio Novais, Revolta de 26 de Agosto de 1931
imagem obtida aqui
Eis a entrada de um quartel na rua Marquês de Fronteira, em Lisboa, o do Batalhão de Metralhadoras 1 (ver pormenor), após os combates. A avaliar pelas sombras alongadas, a fotografia terá sido obtida no fim da tarde de 26 de Agosto, ou na manhã do dia seguinte.
Estúdio Horácio Novais, Revolta de 26 de Agosto de 1931, pormenor
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Brandos costumes (3)
Estúdio Horácio Novais, Rua S. Filipe Neri,Revolta de 26 de Agosto de 1931, Lisboa
imagem obtida aqui
Historicamente, a actual rotunda Marquês de Pombal era o epicentro das revoltas militares que decorriam em Lisboa. O Largo do Rato, Campolide e outras áreas adjacentes, por serem vias de acesso que a alimentam, eram palco de combates intensos.
A memória dos confrontos estranhamente quase desapareceu, raramente são referidos. Mas, na fonte existente no fim da rua da escola Politécnica, aqui vísivel à entrada do Rato, ainda perduram o buracos resultantes do impacto das balas na pedra.
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Brandos Costumes (2)
Estúdio Horácio Novais, Revolta de 26 de Agosto de 1931
imagem obtida aqui
imagem obtida aqui
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Brandos Costumes

Estúdio Horácio Novais, Aviso à População, Agosto de 1931
imagem obtida aqui
A imagem não será brilhante e, dada a época, devo dizer que também não é natalícia ou festiva.
Mas, estranhamente, impressiona e lembra-me a imagem dos grafitos de sangue de Joshua Benoliel, de 1908 (ver Acalmação).
Data de Agosto de 1931, e reporta uma revolta contra a ditadura militar que estava em vias de se tranformar, qual crisálida, no Estado Novo. As forças da oposição, atabalhoada e descoordenadamente, tentam mais uma vez repor a ordem pré-1926.
Falham rotundamente, com um enorme tiro nos pés que incluiu bombardeamentos aéreos falhados e crianças mortas enquanto lançavam papagaios de papel. Ao todo saldou-se a revolta em cerca de quarenta mortos, e a acção do Governador militar de Lisboa e das forças da GNR foi decisiva no seu esmagamento.
A imagem capta um dos avisos à população que são afixados por Lisboa, onde o brigadeiro Daniel de Sousa faz imprimir, em letra a dar para o gótico, o seguinte :
" O Comandante militar determina e faz público:
1º - Que se mantenham em suas casas todos os cidadãos pacíficos e amigos da ordem.
2º- Que serão FUZILADOS todos os indíviduos da classe civil apanhados de armas na mão.
Lisboa, 26 de Agosto de 1931"
Estúdio Horácio Novais, Aviso à População (pormenor), Agosto de 1931
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