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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

As cores de Nova Iorque [2]

Ernst Haas,
Pintor de painéis publicitários,
Nova Iorque, E.U.A., 1952
imagem obtida aqui

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domingo, 18 de janeiro de 2015

As cores de Nova Iorque

Ernst Haas, um austríaco que escapou à incorporação no exército nazi por ter origens raciais "duvidosas", notabilizou-se primeiro por fotografias pungentes do pós-guerra, com o retorno de prisioneiros de guerra para uma Áustria destroçada ( ver O retorno). Convidado a juntar-se à Agência Magnum, acabaria por se mudar para os Estados Unidos, onde obteria mais tarde a naturalização.
E é aí que, nos anos cinquenta, afastando-se duma linguagem propriamente foto-jornalística, assente na cobertura de acontecimentos, começa a trabalhar com cor, uma técnica muito negligenciada pelos profissionais, que a consideravam limitada e mais orientada para os amadores.
Juntamente com Saul Leiter, Haas ajudou a resgatar a fotografia a cores desse menosprezo, e as imagens de ambos duma Nova Iorque a cores, de instantes insignificantes, de névoas e reflexos, muitas vezes experimentais e quase abstractas, são consideradas fundadoras.

Esta imagem, com múltiplas exposições, é tardia mas é simultaneamente representativa desta faceta de Ernst Haas.

Ernst Haas,
As luzes de Nova Iorque,
E.U.A., 1970
imagem obtida aqui
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Retorno


Ernst Haas, Soldado em retorno, 
Viena, Austria, 1946-1948
imagem obtida aqui

Há imagens que carregam em si o imenso potencial de se tornarem simbólicas. E há, é claro, fotógrafos que têm a clarividência de as antecipar e de as capturar.

Ernst Haas, austríaco, não participou na estranha euforia que tomou de assalto muitos dos seus compatriotas, quando as tropas de Hitler consumaram a anexação do país, em 1938.

Historicamente autónomo e multi-cultural, o estado austríaco lidara muito mal com perda do império após a primeira guerra mundial, e entrara numa deriva autoritária. Falhada uma tentativa de seguir o modelo de Mussolini, pela acção do partido social cristão do chanceler Dollfuss, o país acabaria por ver a acção dos nacionais socialistas austríacos (que entretanto haviam assassinado Dollfuss, num golpe de estado falhado) ser premiada com a entrada, sem resistência significativa, das tropas alemãs.
A orfandade do império foi compensada com a integração na grande família alemã nacional socialista, e a avaliar pelas fotografias coloridas de Hugo Jaeger da recepção a Hitler, em Viena ( ver A verdadeira causa de espanto), tal terá acontecido com apoio entusiástico de uma grande parte dos austríacos.

Mas Haas não terá feito parte da turba em semi-transe que recebeu o Führer nas ruas da capital. Como bastantes austríacos, não se enquadrava no padrões de pureza ariana que a nova situação exigia. A sua ascendência parcialmente judaica rapidamente lhe trouxe consequências, desde várias exclusões do sistema de ensino até à feliz não incorporação no exército.

A sua imagem, a preto e branco, do soldado estropiado que retorna, alguns anos após o fim da guerra, e que, hesitante, nada parece ter à sua espera, funciona como um triste contraponto do delírio que fora a aventura nazi retratado por Jaeger, quase dez anos antes. E funciona igualmente como uma metáfora da Europa do imediato pós-guerra, antes do Plano Marshall.
Estropiada também ela, esperava hesitante, sem planos e sem direcção, o retorno à normalidade.

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