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terça-feira, 13 de março de 2012

Mar de Adamastores

Insisto nos lugares-comuns que são oferecidos ao olhar alheio e nos são depois devolvidos de forma amplificada.Insisto em Toni Frissell, uma fotógrafa bastante interessante mas algo esquecida. E insisto numa fotografia da sua viagem de trabalho a Portugal, em Maio de 1946. Esta faz parte da selecção que a filha, Sidney Stafford, fez a partir do espólio entregue à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e que foi publicada no livro "Toni Frissell: Photographs 1933 - 1967", de 1994.

Toni Frissell, Portugal, Maio de 1946
imagem obtida aqui


Mais uma vez Portugal e o Mar, um mar desafiador e ameaçador, de Adamastores. Bem embalado numa imagem intensa de Frissell, que nos remete um pouco para o imaginário da corrente pictorialista da transição entre os séculos dezanove e vinte.

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Concentrada e amplificada

Divertem-me os estereótipos e os lugares-comuns. Gosto da maneira estilizada como nos arrumam o mundo. E gosto de ver como, por vezes, estes são oferecidos ao olhar alheio e nos são depois devolvidos de forma amplificada.
Toni Frissell, fotógrafa americana que passou por Portugal em trabalho, em Maio de 1946, trabalhou sob o ponto de vista do turista, passou pelos bairros históricos de Lisboa, pelos cais do Tejo e pelas casas de fado. Por essa observação fez imprimir a sua marca de água. Algo que, à falta de melhor termo, eu descreveria por intensidade.
A imagem que produz duma fadista em actuação é simplesmente fabulosa.  Apresenta-nos um Portugal do Estado Novo, mais real que o real. Com tristeza, a pose torcida e chorada da cantora, a seriedade nos acompanhantes e um pintas no fundo a compor o quadro. E tudo isto com um jarro de vinho e barriga cheia denunciada pelo prato vazio.

Toni Frissell, Fadista numa casa de fados
Lisboa, Maio de 1946
imagem obtida aqui

A fotografia de Frissell apresenta-nos de forma perigosamente concentrada o modo como um certo Portugal de então gostava de se ver ( e de se mostrar).

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