quinta-feira, 22 de abril de 2010

Uma história mal contada

Defende-se, por vezes, que o olhar do observador constrói em larga medida o objecto da observação. A figura de Charles Dodgson (Lewis Carroll) e a sua caracterização parecem constituir um exemplo deste enunciado.

Até aos anos noventa do século passado (continua a parecer-me estranha a referência ao século vinte como século passado...), Dodgson era caracterizado de duas formas muito opostas relativamente ao seu carácter, mas que tinham dados de partida muito similares.
Para ambas correntes, Dodgson foi um homem com dificuldades no relacionamento com adultos, e uma clara preferência pela companhia de crianças do sexo feminino. Se uns tendiam, por isso, a considerá-lo um homem puro, fascinado pela inocência das crianças, outros tendiam, com a mesma base, a vê-lo como uma personalidade perversa, com um óbvio desvio à norma sexual.

Rev.Charles Lutwidge Dodgson,Auto-retrato, 1863
 
Estas apreciações fundavam-se nas descrições surgidas pouco após a morte de Charles Dodgson, sobretudo na biografia escrita pelo sobrinho Stuart Dodgson Collingwood,”The Life and Letters of Lewis Carroll”, onze meses apenas após o óbito. Outras fontes eram as descrições de algumas das crianças, entretanto tornadas adultas, com quem o diácono travara conhecimento.Por fim, em1954, a publicação resumida dos diários do escritor, fotógrafo e matemático acrescentou um pouco mais ao material de estudo dos “Carrollianos”.
O que diferia nestes pontos de vista era pois os instrumentos de análise e, sobretudo, a perspectiva. Uns focalizam-se a relação de Dodgson com as várias meninas da sua predilecção numa leitura literal do material divulgado, e concentravam-se na criatividade literária e no génio do autor. Os outros, socorriam-se da vulgata freudiana na interpretação da obra e do homem, e concentravam-se no desvio à norma. Havia uma concordância em discordar, partilhando uma caracterização do homem.

Em 1999, a publicação de “In the Shadow of the Dreamchild: A New Understanding of Lewis Carroll” de Karoline Leach, funcionou como um terramoto de grande intensidade no mundo dos estudiosos de Clarles Dodgson. Neste livro, apareceu uma visão distinta que defendia que, relativamente ao criador de Alice, o edifício das grandes certezas estava assente sobre fundações, no mínimo, duvidosas.
Para Leach, toda a construção teórica à volta do homem, que então predominava, baseava-se não em fontes primárias e contemporâneas de Dodgson, mas em material escrito e divulgado após a sua morte. Estas referências fundadoras encontram-se, considera ela, inquinadas por uma perspectiva orientada para caracterizar Charles Dodgson de uma forma particular. Uma forma que não era particularmente fiel à real vivência deste.
Os herdeiros de Charles Dodgson procuraram, após a sua morte, criar uma imagem, que em seu ver, era mais simpática e condizente com o que deveria ser um diácono que escrevia histórias infantis. Foi seu objectivo afastar do conhecimento público aspectos que poderiam, no âmbito da mentalidade vitoriana, introduzir algum desagrado ou controvérsia. 
Não lhes era conveniente a caracterização de Dodgson como um assíduo frequentador de peças de teatro - actividade mundana que a hierarquia da igreja anglicana considerava reprovável num sacerdote. Não lhes era particularmente interessante o facto de se ter inserido no seio da elite artística da época, sendo próximo do grupo dos Pré-Rafaelitas. Não lhes era igualmente conveniente apresentar as relações de alguma intimidade com mulheres adultas, parte delas casadas. Tampouco, lhes interessava publicitar o interesse deste em espectáculos circenses e diversões aquáticas, onde os cavalheiros britânicos podiam regalar-se com visões femininas pouco vestidas para os padrões da época.

Rev. Charles Lutwidge Dodgson, O pintor Dante Rossetti e a sua família, Londres, 1878

Stuart Dodgson Collingwood, ao escrever a biografia do tio, aparentemente sob apertado escrutínio das seis tias, limitou-se a tentar criar uma versão laudatória, inócua, do homem. Uma versão cheia de pormenores insignificantes, redutores e, por vezes, fantasiosos. E fez isto, apesar do acesso directo à vastíssima correspondência e aos diários pessoais. Para os britânicos do final do século dezanove, a descrição de um homem tímido, dedicado às crianças, parecia ser a forma mais segura de apresentar um reconhecido, mas solteiro, escritor de histórias infantis.

Rev.Charles Lutwidge Dodgson, Margaret Dodgson (irmã), s/data

Ora, esta apresentação, elaborada por alguém que deveria ser uma autoridade no assunto, adquiriu um estatuto inquestionável. O facto das fontes de Stuart Collingwood  terem permanecido inacessíveis durante muito tempo, cimentou esta percepção de Charles Dodgson na opinião dos estudiosos, e por arrasto, no público em geral.
A já referida publicação dum resumo dos nove diários sobreviventes (inicialmente eram treze) de Charles Dodgson em 1954, veio acentuar este desequilíbrio analítico, dado que permitiu dar aos estudiosos uma ilusão de aproximação aos materiais de Collingwood. Mas tratava-se de uma divulgação cerceada pelas sobrinhas, ainda vivas então, que deligenciaram no sentido de fazer desaparecer das transcrições tudo o que aparentemente se afastasse da biografia de 1898. 
Outro aspecto interessante é o que resulta da leitura dos diversos textos produzidos por adultos, que travaram conhecimento com Dodgson em crianças. Alguns destes textos eram, decerto, auto-promocionais, na medida em que os autores procuravam publicamente associar-se ao famoso e, na altura ainda, insuspeito escritor. As descrições eram amíude condizentes com favorável caracterização realizada por  Stuart Collingwood e, por vezes, as antigas crianças conseguiam lembrar-se de factos que efectivamente não aconteceram, tal era a ânsia de serem coerentes com a imagem resultante daquele registo.
 

Se a família se revelou eficiente na defesa duma determinada descrição de Dodgson, não se revelou clarividente na antecipação dos efeitos dessa defesa. Aquilo que para os vitorianos era impensável , e para os eduardianos pouco admissível, tornou-se muito provável para a sociedade do pós-Guerra.

As primeiras brechas na leitura do carácter de Dodgson advêm do excessivo centramento de alguns biógrafos na questão do seu relacionamento com as crianças-amigas. Em 1932, a biografia "The Life of Lewis Carroll" de Langford Reed, elaborada a partir de pouco mais do que o texto de Stuart Collingwood, mas plena de convicção, lança explicitamente um postulado, que antes apenas fora sugerido- Charles Dodgson/Lewis Carroll apenas se interessava por relacionamentos com meninas, e  o seu interesse terminava assim que estas atingiam a puberdade.























Rev.Charles Lutwidge Dodgson, Alexandra Kitchin (Xie Kitchin),1876

Ainda que Reed fizesse esta afirmação no sentido de reforçar o carácter casto do biografado, definindo-o como alguém intocado pela luxúria, o facto é que, com ele, estava lançada a linha central dos estudos carrollianos. Se alguns continuaram do lado da linha que considerava a obsessão com meninas como um interesse inocente, o facto é que a evolução das mentalidades, e a divulgação pública de múltiplos escândalos, tornaram difícil a crença em homens inocentes e assexuados para uma parcela progressivamente significativa da sociedade ocidental, sobretudo a partir de meados do século vinte.

Karoline Leach, e outros (Hugues Lebailly, Edward Wakeling e Douglas Nickel, nomeadamente), recentraram os estudos carrollianos em materiais primários e coevos do autor, e evitaram ter como ponto de partida a singularidade, per se, do homem. A obra de Dodgson e os seu comportamentos foram reanalisados no contexto societal da época. Desta nova abordagem, verificou-se que nem a caracterização anterior do homem era factual ( Dodgson era uma pessoa algo idiossincrática, nalguns aspectos seria aquilo que se pode descrever prosaicamente como um picuinhas, mas estava muito longe de ser o eremita distraído que a família apresentou ), nem a sua atitude em relação às crianças era de facto singular, antes se inscrevendo num quadro que se pode designar como de culto da criança, próprio da época vitoriana. Para os contemporâneos de Dodgson, a infância era local de inocência, de não corrupção, opondo-se à idade adulta, essa sim plena de degradação moral e ética. Alice não se encontra sózinha no panteão de figuras ficcionais infantis do século dezanove, e início do século vinte, onde figuram também, por exemplo, os múltiplos jovens da obra de Charles Dickens e o Peter Pan de James Barrie.
 

Não se pode, em rigor, afastar categoricamente a mancha de suspeita que associa Charles Dodgson à pedofilia. Esta é particularmente resistente devido à actual consciência do problema. Uma consciência que impõe uma atitude justificadamente preocupada e desconfiada. Mas os dados objectivos existentes sobre esta figura permitem-nos duvidar das certezas categóricas antes tidas, quer relativamente à “santidade” do homem, quer à sua perversão.

Acaba por ser profundamente irónico que a atitude protectora da família, que procurou afastar de Dodgson qualquer tipo de escândalo resultante da sua relação com mulheres adultas, seja, em boa medida, a responsável pela muito mais escandalosa suspeição de pedofilia.

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quarta-feira, 31 de março de 2010

Conta-me histórias

Por culpa de Tim Burton ( sim, é de bom tom iniciar um texto apresentando o culpado...), está na moda falar de Alice e do Pais das maravilhas. Ora, como a última coisa que eu faria seria ir contra uma moda, decidi dar também o meu esplêndido contributo.

Charles Lutwidge Dodgson nasceu a 27 de Janeiro de 1832, em Daresbury , na Inglaterra. Nasceu terceiro filho, mas primeiro rapaz, numa família que tradicionalmente se dedicava a salvar almas, ou a enviá-las de volta ao criador, em nome de sua majestade.


Oskar Gustav Rejlander , Rev.Charles Lutwidge Dodgson (Lewis Carroll), 1863

À semelhança do seu pai, optou pela via do sacerdócio na Igreja Anglicana, safando-se de uma eventual morte em combate, como a que levara o seu avô, em 1803. Dedicar-se-ia , no entanto, sobretudo à Lógica e à Matemática. 

Seriam, porém, a Fotografia e a Literatura que o tornariam célebre. E ficaria célebre, não como Charles Dodgson, mas sim como Lewis Carroll, pseudónimo que adoptou para a sua obra literária. Lewis Carroll foi uma opção baseada no seu próprio nome - Lewis é a anglicização do nome latino Ludovicus, que tem como derivação inglesa menos comum Lutwidge, o apelido da sua mãe; Carroll é igualmente uma derivação do nome latino Carolus, cujo correspondente mais corrente na língua inglesa é Charles.

Alguns percalços de saúde ajudaram a criar uma imagem, que associada ao teor das suas obras, o apresentariam como uma figura invulgar. Muito novo, em resultado de uma febre, dizem uns, perdeu a audição num ouvido. Outros dizem que essa perda foi mais tardia, e deveu-se a uma complicação de uma infecção com papeira. Aos dezassete anos sofreu de tosse convulsa, o que terá originado os problemas respiratórios que lhe eram reconhecidos na fase final da vida. Sofria igualmente de gaguez e de fortes enxaquecas. Crê-se ainda que sofreria de epilepsia do lobo temporal, o que explica as suas perdas de consciência. Por último, nos seus últimos anos coxeava e deslocava-se com dificuldade, facto atribuído a uma lesão no joelho contraída na meia-idade.
Embora a gaguez aparentemente lhe tenha dificultado a interacção social, destacou-se na escola pelo brilhantismo e facilidade com lidava com a matemática. Ganhou e perdeu bolsas de estudo, consoante se exercitava ou se entediava e perdia o entusiasmo. Acabou por ver ser-lhe atribuída a docência de Matemática no colégio Christ Church, em Oxford. Exerceu-a durante vinte e seis anos, ao que alguns indicam, sem grande entusiasmo. Continuaria porém, em várias funções, ligado a Christ Church até ao seu falecimento.
Em razão da sua ligação ao colégio, supunha-se que Charles Dodgson fosse ordenado padre da Igreja anglicana, no espaço de quatro anos. Mas, na realidade, parecia nutrir pelo sacerdócio o mesmo entusiasmo que devotava ao ensino da matemática. Durante algum tempo, adiou a tomada de votos, acabando finalmente por ser ordenado diácono em 1861. Um ano depois deveria ser ordenado padre. Solicitou que tal não acontecesse. Esta atitude deveria determinar a sua expulsão, facto que, de forma nunca totalmente explicada, não veio a acontecer.

O director do colégio era então Henry Liddell, e sabe-se que Dodgson se tornara um amigo chegado da família Lidell, em particular da esposa, Lorina, e dos filhos ( um rapaz, Harry, e três raparigas, Lorina, Edith e Alice).

Charles Dodgson acompanhará durante anos a família Liddell, em saídas e passeios e partilhará algum do seu tempo livre com as crianças, acompanhadas pelos pais ou pela governanta , Ms Pritchett.

A elas tirou fotografias - hobby que levava particularmente a sério. Para elas, e para Alice em particular, inventou histórias visando entreter. Por insistência dela, redigiu um manuscrito para oferta, compilando as narrativas criadas. Este, depois de aumentado, e de depurado de pormenores biográficos, esteve na origem de “Alice no país das Maravilhas”, livro que tornaria Dodgson, aliás Carroll, famoso e rico.

Para além das crianças da família Lidell, fotografou muitas outras meninas, com as quais parecia dar-se especialmente bem. Fotografou algumas delas nuas.

Rev.Charles Lutwidge Dodgson , Beatrice Hatch, 1873 ( colorida manualmente por Anne Lydia Bond, segundo instruções de Dodgson)

À medida que os livros infantis o tornavam progressivamente conhecido, passou a evitar cada vez mais aqueles que se procuravam apresentar pessoalmente. Tornou-se uma personagem avessa a novos contactos, algo que ajudou a caracterizá-lo como uma figura estranha.
Charles Lutwidge Dodgson morre a duas semanas de fazer 66 anos, em 14 de Janeiro de 1898. Morre vítima de pneumonia, originada por uma gripe.

Ao longo do século vinte será apresentado como um homem invulgar e tímido, solteiro, avesso ao contacto com adultos. Alguém que só se sentia à vontade no meio de crianças, com quem manteve contactos muito chegados, trocou correspondência e que usou como motivo central da sua obra fotográfica e literária.

Esta caracterização segue duas vias. Uma, que o apresenta como um homem que nunca cresceu, inocente e tímido, devotado às crianças - uma figura santificada, algo como uma Madre Teresa da Literatura Infantil. Outra, que entusiasma muito mais o nosso olhar, cada vez mais cínico e céptico, segue uma leitura freudiana de Carroll – a sua proximidade com as crianças, resulta de uma sexualidade não resolvida, de uma fixação sexual. A sua opção por companhia pueril, as suas fotografias de nus infantis e de crianças semi-despidas, as referências a orifícios e a coisas que crescem e encolhem em “Alice no País das maravilhas”, convencem muitos do carácter perverso que esta abordagem atribui a Charles Dodgson. Vladimir Nabokov considerou-o um protótipo do seu Humbert Humbert de “Lolita”.

Contar histórias e fotografar, para o reverendo Charles Lutwidge Dodgson, não passariam de pretextos para se rodear de ninfetas.

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quinta-feira, 18 de março de 2010

Observe-se agora esta.

Esta é bem mais conhecida!

























Rev. Charles Lutwidge Dodgson, Alice Liddell, 1859

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Observe-se.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rev. Charles Lutwidge Dodgson, Alice Liddell, 1870


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quinta-feira, 11 de março de 2010

O Coleccionador de legendas

Gosto de museus, já aqui disse.
Gosto de os percorrer lentamente. Gosto das colecções, dos espaços , do conceito - um misto de templo e de armazém.
Mas, por vezes, dou por mim a exercer o papel de antropólogo ou biólogo amador. Descubro-me a analisar, e a catalogar, a fauna que os frequenta. Esta fauna, da qual evidentemente faço parte, é relativamente variada.
Há o funcionário esforçado. O segurança entediado. O guia diligentemente pouco informado. Os visitantes desportistas, que tentam bater o record do Guiness para a visita completa ao Louvre no mais curto espaço de tempo. O experimentador de sofás, que se desloca de uma sala para seguinte, apenas para se pousar nos assentos que nelas existem. Os bandos das visitas escolares, que se aborrecem, aspirando o fim do frete para irem a um centro comercial. O  visitante interessado, demorado, que nunca consegue ver tudo no tempo disponível. O especialista, que vai ao museu, não para ver o que está exposto, mas para expor a quem o ouvir o muito que julga saber sobre a exposição.
Uma das minhas categorias preferidas é a do coleccionador de legendas. Trata-se de um tipo muito particular de utilizador. Não é um frequentador forçado, tem curiosidade e desloca-se com alguma morosidade. Diferencia-se do visitante interessado num pormenor: embora percorra todos os objectos, não olha para eles, ou raramente o faz, e sempre de forma breve. Prefere a informação escrita que puseram debaixo, ou ao lado. 
Gosta mais do texto do que da coisa.

Júlio Assis Ribeiro, British Museum, Londres, 2001


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terça-feira, 9 de março de 2010

Apatetada nostalgia

Vários factos levam-me a acreditar que há nos portugueses uma obsessão quanto ao olhar e à opinião dos outros.
Nunca vivi fora e quem conheço proximamente partilha a minha condição nacional. Não sei, por isso, se os outros povos reagem com igual exagero ao juízo estrangeiro. Oscilamos entre o sentimento de ofensa profunda e a adulação. O que dizem de nós, ou é a verdade absoluta, inquestionável, ou uma distorção mal intencionada. Raramente acolhemos observações externas com indiferença ou análise.
Dito isto, e a contracorrente, tenho de dizer que uma das imagens que mais se adequam à ideia do País da minha infância é justamente de um estrangeiro.
A fotografia de Josef Koudelka, de 1976, apresenta-me, de uma forma que não sei explicar bem, esse Portugal subitamente cortado do Império, atávico e a querer ser moderno.
O país das EFSes e Fameles, do leite não pasteurizado, vendido em bilhas nas traseira de triciclos. De carroças de mula coloridas, com sinetas, a transportar areia para obras de betão armado. Uma terra de minis Morris, citroens dois cavalos e renaults 4L. De Unidades Colectivas de Produção e de uma barragem que não se construía, porra. Enfim, o lugar dos garrafões de vinho, dos carapaus fritos e das feijoadas à beira-mar.
Um Portugal, em larga medida, desaparecido, do qual, estranhamente e por vezes, sinto uma apatetada nostalgia.
 
Josef Koudelka, Portugal, 1976

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segunda-feira, 1 de março de 2010

O Olho

Depois de três textos mais ou menos sobre videntes e visões, tinha que ser... 

Júlio Assis Ribeiro
Ribeira da Asseca, São Domingos, perto de Tavira, Fevereiro de 2010

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